Fevereiro 26, 2011
Fevereiro 21, 2011
Fevereiro 11, 2011
Poesia do dia
Mais Alto
Mais alto, sim! mais alto, mais além
Do sonho, onde morar a dor da vida,
Até sair de mim! Ser a Perdida,
A que se não encontra! Aquela a quem
O mundo nao conhece por Alguém!
Ser orgulho, ser águia na subida,
Até chegar a ser, entontecida,
Aquela que sonhou o meu desdém!
Mais alto, sim! Mais alto! A Intangível
Turris Ebúrnea erguida nos espaços,
A rutilante luz dum impossível!
Mais alto, sim! Mais alto! Onde couber
O mal da vida dentro dos meus braços,
Dos meus divinos braços de Mulher!
Florbela Espanca
Fevereiro 7, 2011
Que virá, quando ouvires dizer que vem?
Que virá, quando ouvires dizer que vem?
E como, se ao chegares nada aparecer?
Mergulhador nocturno, mergulhador diurno
ao fôlego que resta haverás de confiar
o que em fundura chama e à superfície ecoa.
Em breve ficas pronto para nada perguntar
ouvindo o que vier, recebendo o que chegar.
Não é preciso o que, nem necessário o onde
o para quê de quando, o para quem de como.
E chegará sem porque e falará nem quanto
por entre contra e dentro, perante quase em tudo
apenas vindo assim, sem modo, com chegando.
Carlos Poças Falcão, Dodecaemas, livro Nuvem, 2000.



