Dezembro 3, 2010
Novembro 23, 2010
Uma boa parte de verdade…
[
Um emigrante Angolano chega a Lisboa!
No seu primeiro dia, decide sair a ver os arredores da sua nova cidade.
Andando rua abaixo, diz para a primeira pessoa que vê:
- Obrigado senhor Português por me permitir estar neste país onde me deram casa e comida grátis, seguro, médico e educação grátis. Obrigado!
A pessoa sorri e reponde:
'... Sinto muito mas eu sou Ucraniano! '
O Angolano continua rua abaixo e encontra outra pessoa que caminhava na sua direcção e diz:
- Senhor Português, obrigado por este país tão belo que é Portugal.
A pessoa responde:
- Sinto muito, mas eu não sou português sou Brasileiro.
O Angolano continua o seu caminho. À pessoa que vê a seguir na rua cumprimenta-a e diz:
- Obrigado por este país tão belo que é Portugal.
A pessoa após o cumprimentar diz:
- Muito bem, mas eu não sou português sou Marroquino.
O Angolano continua o seu caminho e finalmente vê uma senhora morena e mais ou menos bem vestida que vem a seu encontro e pergunta-lhe:
- Você é Portuguesa?
A mulher sorri e diz:
- Não, sou cigana, sou Romena.
Estranhando e já confuso o Angolano pergunta:
- Mas onde estão os Portugueses?
A cigana olha-o de cima abaixo e reponde:
- "Espero que estejam a trabalhar para nos sustentar!"]
[Com uma pitada de xenofobia ou de humor à mistura não deixa de te o seu qb de verdade.]
- Recebida via e-mail; desconheço a autoria.
Novembro 20, 2010
Clarice Lispector
“É um nome latino, né, eu perguntei para o meu pai desde quando havia Lispector na Ucrânia. Ele disse que há gerações e gerações anteriores. Eu suponho que o nome foi rolando, rolando, perdendo algumas sílabas e se transformando nessa coisa que parece “LIS NO PEITO”, em latim: flor de lis. “ C.L.
A propósito de uma questão colocada num concurso televisivo (sim, cá por casa também se vai vendo televisão!), que visava a nacionalidade de Clarice Lispector, ocorreu-me que é comum ver, aqui e ali, citações da sua autoria (ou que alegadamente lhe pertencem). Ocorreu-me, em seguida, que, apesar dessa “visibilidade”, Clarice Lispector não é assim tão conhecida. O concorrente do referido concurso errou a resposta. Isso deu-me o mote para falar um pouco e lembrar (d)esta escritora.
C.L. nasceu na Ucrânia e viveu no Brasil (Alagoas, Pernambuco, Pará), Itália, Suíça e USA. O cenário mais presente na sua obra é o Rio de Janeiro, para onde se mudou aos 14 anos, em 1935. Foi nesta cidade que se formou como escritora. E foi aqui que morreu em 1977, vítima de cancro.
Uma mulher “completa”, mãe, esposa, jornalista, dona de casa, escritora, viajante…
Culta e com um vocabulário extenso, que através das palavras a cada dia se conhecia mais e mais.
Solitária? Talvez… Mas quem não é? Sempre acompanhada da sua máquina de escrever.
Para muitos, a obra de Clarice Lispector é um longo poema em prosa que opera um corte oblíquo no real para o iluminar com a sua visão e nele inserir a aventura da sua escrita.
A sua capacidade de penetrar o mistério da alma (particularmente da alma feminina) nas suas relações com o Universo e com os Homens faz de muita da sua obra uma fonte permanente de surpresas e deslumbramentos.
Os leitores descobrem-se, a cada página dos seus livros, relacionando com a sua própria vivência as reacções dos personagens, vivência esta geralmente envolvida numa textura e contexto tanto encantadora(s) como dolorosa(s).
Acho que não lhe é dada a relevância que, a meu ver, merece.
E acho que todos deveríamos lê-la em um qualquer momento das nossas vidas…
Por tudo isto, aqui vai :
OLHE AO REDOR
Olhe para todos a seu redor e veja o que temos feito de nós.
Não temos amado, acima de todas as coisas.
Não temos aceito o que não entendemos porque não queremos passar por tolos.
Temos amontoado coisas, coisas e coisas, mas não temos um ao outro.
Não temos nenhuma alegria que já não esteja catalogada.
Temos construído catedrais, e ficado do lado de fora, pois as catedrais que nós mesmos construímos, tememos que sejam armadilhas.
Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e nós a tememos. Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo.
Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda.
Temos procurado nos salvar, mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de ser inocentes.
Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer sua contextura de ódio, de ciúme e de tantos outros contraditórios.
Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar nossa vida possível.
Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa.
Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada.
Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos o que realmente importa.
Falar no que realmente importa é considerado uma gafe.
Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses.
Não temos sido puros e ingênuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer “pelo menos não fui tolo” e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz.
Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos.
Temos chamado de fraqueza a nossa candura.
Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo.
E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia.
(CLARICE LISPECTOR)
Não é extraordinário que, várias décadas volvidas, estas palavras tenham cada vez mais actualidade e e premência?
É desta “matéria” que são feitos os “génios”.
Bem haja, LIS NO PEITO, onde quer que esteja.

