Bom Dia Filipina

Fevereiro 11, 2011

Poesia do dia

Filed under: Poema do dia — bomdiafilipina @ 10:14 pm
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Mais Alto

Mais alto, sim! mais alto, mais além
Do sonho, onde morar a dor da vida,
Até sair de mim! Ser a Perdida,
A que se não encontra! Aquela a quem

O mundo nao conhece por Alguém!
Ser orgulho, ser águia na subida,
Até chegar a ser, entontecida,
Aquela que sonhou o meu desdém!

Mais alto, sim! Mais alto! A Intangível
Turris Ebúrnea erguida nos espaços,
A rutilante luz dum impossível!

Mais alto, sim! Mais alto! Onde couber
O mal da vida dentro dos meus braços,
Dos meus divinos braços de Mulher!

                   Florbela Espanca

Janeiro 30, 2011

Poema do dia

Filed under: Poema do dia — bomdiafilipina @ 8:11 pm
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Na copa das árvores

 
Na copa das árvores
nota-se o movimento
que é em ti 
circunscrito.

Nuno Travanca

Janeiro 29, 2011

Poesia do Dia

Filed under: Poema do dia — bomdiafilipina @ 4:22 pm
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Olá

Sussuro teu nome

Numa graça de eleição

Mulher ou garça prateada

Que importa

Se habitas olhos de fé

Na virtude de uma santa

Onde a Amazónia e o Oriente se encontram

Na crença desalvorada

De rezar por favores teus

Não! Não receies o meu rosto

Calmamente desesperado

Nem penses na incerteza de me chamar

Perdoa-me só

Por não te saber querer.

Daniel Medina, in “pela geografia do prazer

Janeiro 17, 2011

Poema do dia

Filed under: Poema do dia,Poesia — boanoitefilipina @ 1:49 pm
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CONSTELAÇÕES

Usamos todos a ilusão
de fabricar a vida:
história, constelações
de sons e gestos

Usamos todos a suprema glória
do amor: por generosidade
ou fantasia, ou nada, que de nada se fazem
universos

Usamos todos mil chapéus de bicos
mal recortados e de encontro
ao sol:
o nosso mais perfeito em franja e bico
e um arremedo tal e seiscentista
que ofuscando-se: o sol

Usamos todos esta condição
de pó de vento, ou de rio
sem pé: único dom de fabricar o tempo
em raiz de palmeira
ou de cipreste.

Ana Luisa Amaral

Janeiro 13, 2011

Poema do dia

Filed under: Poema do dia,Poesia — bomdiafilipina @ 8:03 pm
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Sala de espera

Cinquentonas adiposas

Homens de bigode problemático

Duas angustiadas estéreis

Outras duas parideiras

Velhos parados na sua velhice

Funcionários tão públicos

Uma adolescente esburacada

A mãe catastrófica

O jovem lamentável casal

Uma miúda que só olha

Um avô despedaçado,

Todos na mesma fila que eu

Para os comprimidos.

Pedro Mexia,  in “Vida Oculta”

Janeiro 11, 2011

Poema do dia

Filed under: Poema do dia — bomdiafilipina @ 9:20 pm
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O Beijo

 

Beijas-me a boca

e eu acordo

ou adormeço

Branca de Neve no esquife

Bela Adormecida no mato

bicho do mato

que sou

anel nó selo leite

em que bóiam papoilas

borboletas brancas

pano

em que me embrulho

em que te embrulho

nó górdio

anel Möbius

como-te comes-me

 

Adília Lopes

(L.Y.)

Janeiro 9, 2011

Poema do dia

Filed under: Poema do dia,Poesia — boanoitefilipina @ 9:02 pm
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Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.

Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.

Alberto Caeiro

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