Bom Dia Filipina

Janeiro 31, 2011

Elogio ao amor

Filed under: Citações,Textos — boanoitefilipina @ 1:03 pm
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ELOGIO AO AMOR  

Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado.

Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.

Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em “diálogo”. O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam “praticamente” apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje.

Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do “tá tudo bem, tudo bem”, tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso “dá lá um jeitinho sentimental”. Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.

O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A “vidinha” é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha – é o nosso amor, o amor que se lhe tem.

Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.

A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.

Miguel Esteves Cardoso 

Janeiro 30, 2011

Poema do dia

Filed under: Poema do dia — bomdiafilipina @ 8:11 pm
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Na copa das árvores

 
Na copa das árvores
nota-se o movimento
que é em ti 
circunscrito.

Nuno Travanca

Música do dia

Filed under: Música do dia,Videoclips — boanoitefilipina @ 4:02 pm
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Emir Kusturica

Filed under: Filmes — boanoitefilipina @ 3:43 pm
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O serão de ontem foi preenchido por mais um filme de Kusturica, a tentar complementar um outro visto pouco tempo atrás, do mesmo autor.

Realizador sérvio, Emir Kusturica é considerado um dos mais criativos do cinema europeu dos anos oitenta e noventa, tendo recebido alguns prémios comprovativos desse mérito.

Tem um estilo próprio, meio surrealista, e só consegue gostar dos seus filmes quem entrar “no espírito” (digo eu!).

Pena que filme tão pouco.

Para além de cineasta, Emir Kusturica é também músico, tendo um projeto musical denominado Emir Kusturica & The No Smoking Orchestra, possuindo um estilo de gypsy rock muito próprio.

Qualquer dos títulos enunciados abaixo vale bem a pena!!

 

Underground – Era Uma Vez um País

Poster de «Underground - Era Uma Vez um País»

País: Jugoslávia; Ano: 1995; Género: Drama; Duração: 194m

Realização: Emir Kusturica

Interpretação: Lazar RistovskiMiki ManojlovicMirjana JokovicSlavko Stimac

Sinopse : Na noite de 6 de abril de 1941, dois exploradores bêbedos, Marko (Miki Manojlovic) and Blacky (Lazar Ristovski) acompanhados por uma banda cigana celebram a sua última burla – o roubo de um carregamento de armas militares. Contudo, a sua folia acaba na manhã seguinte, quando Belgrado é bombardeada por tropas Aliadas e os dois oportunistas são identificados como comunistas rebeldes. Enfrentando a incerteza da guerra e possível prisão, Marko decide procurar refúgio no celeiro do seu avô com o seu irmão Ivan (Slavko Stimac), Blacky, e a mulher grávida de Blaky, Vera (Mirjana Karanovic). A separação de Blaky e da amante, uma actriz chamada Natalija (Mirjana Jokovic), torna-se insuportável e depois de vários anos separados, ele concebe um plano para rapta-la em palco e matar o seu companheiro, um oficial alemão de seu nome Franz (Ernst Stotzner). O plano corre mal e Blaky é capturado e interrogado pelos alemães. Marko surge de uma elaborada série de passagens subterrâneas e emerge num hospital, salvando Blaky, mas um acidente com uma granada de mão deixa Blaky gravemente ferido e confinado ao celeiro por um longo período de recuperação. Desligado do mundo exterior e acreditando nos relatos que Marko lhe faz sobre o desenvolvimento da guerra, Blaky desconhece as profundas mudanças que se passam na Jugoslavia. Marko explora a dependência de Blaky para inventar histórias de uma guerra a fim de aproveitar a mão de obra oferecida pelos trabalhadores subterrâneos. Em 1961, Marko está casado com Natalijaa e retira os benefícios da sua aliança com o Marshal Tito ocupando um posto de grande importância, enquanto Blaky continua a fabricar armamento, ignorando a duplicidade, egoísmo e traição do seu melhor amigo.

 

Gato Preto, Gato Branco 
 
Poster de «Gato Preto, Gato Branco»

País: Jugoslávia: Ano: 1998 ; Género: Comédia ; Duração: 135m

Realização: Emir Kusturica

Interpretação: Bajram SeverdzanBranka KaticSrdjan Todorovic

Sinopse : Era uma vez uma comunidade de exuberantes ciganos: dois avós que julgavam estarem mortos, dois jovens apaixonados, uma senhora que queria vender a filha, um rapaz gorducho, um comboio roubado e desaparecido, um burro, um porco, dois gatos, uma fanfarra suspensa numa árvore, um casamento forçado, uma noiva em fuga, dois casamentos livres, e um final onde o amor e a amizade ganham.

Janeiro 29, 2011

Poesia do Dia

Filed under: Poema do dia — bomdiafilipina @ 4:22 pm
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Olá

Sussuro teu nome

Numa graça de eleição

Mulher ou garça prateada

Que importa

Se habitas olhos de fé

Na virtude de uma santa

Onde a Amazónia e o Oriente se encontram

Na crença desalvorada

De rezar por favores teus

Não! Não receies o meu rosto

Calmamente desesperado

Nem penses na incerteza de me chamar

Perdoa-me só

Por não te saber querer.

Daniel Medina, in “pela geografia do prazer

Filme “Irreversível”

Filed under: Filmes — boanoitefilipina @ 1:45 pm
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Com 8 anos passados sobre a realização, um filme perturbadoramente actual.

Sinopse : Irreversível. Porque o tempo tudo destrói. Porque certas acções são irreparáveis. Porque o homem é um animal. Porque o desejo de vingança é uma pulsão natural. Porque a maior parte dos crimes ficam impunes. Porque a perda do ser amado destrói como um raio. Porque o amor é fonte de vida. Porque qualquer história se escreve com esperma e sangue. Porque as premonições não alteram o curso das coisas. Porque o tempo tudo revela. O pior e o melhor.

Ficha Técnica: País- França; Ano - 2002 ; Género: Drama ; Duração- 95m ; Realização – Gaspard Noé ; Interpretação - Albert DupontelMonica BellucciVincent Cassel  ; Argumento – Gaspard Noé

Música do dia

Filed under: Música do dia,Videoclips — boanoitefilipina @ 1:29 pm
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Pensamento do dia

Filed under: Pensamento do dia — boanoitefilipina @ 1:26 pm
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 “Preocupe-se mais com seu caráter do que com sua reputação. Caráter é
  aquilo que você é, reputação é apenas o que os outros pensam que você é.”
  John Wooden

Janeiro 26, 2011

Música do dia

Filed under: Música do dia,Videoclips — boanoitefilipina @ 11:58 am
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Esperança

Filed under: Pessoal,Poemas — boanoitefilipina @ 11:22 am
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  ”Acaso o meu coração se irá embora

  Como as flores que perecem,

  O meu nome algum dia será nada ?

  O meu renome será nada sobre a terra ?

  O meu coração algum dia será nada ?”

             POEMA AZTECA

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